Imunização reduz casos graves e protege as crianças de internamento nos primeiros anos de vida

O rotavírus é o principal agente causador de diarreia grave em crianças. O vírus, que está presente em todo o mundo, atinge pequenos de todas as idades, especialmente menores de 5 anos.
A transmissão é pela via fecal-oral, ou seja, o vírus é eliminado nas fezes do paciente, contamina a água, alimentos e objetos e se dissemina facilmente. Os surtos da doença são comuns em escolas e centros de educação infantil, podendo provocar desidratação e, inclusive, necessidade de atendimento hospitalar para reposição de líquidos por via intravenosa.
Dessa forma, segundo a pediatra e coordenadora do Centro de Vacinas Pequeno Príncipe, Heloisa Ihle Garcia Giamberardino, “a imunização é a estratégia mais eficaz para evitar casos graves, prevenir hospitalizações e garantir o desenvolvimento saudável para as crianças”, diz.
Em 2008, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertava para o impacto do rotavírus na infância, estimando 450 mil óbitos em crianças pequenas, cenário que levou a entidade a recomendar a inclusão da vacina nos calendários nacionais de imunização.
No Brasil, o Ministério da Saúde incorporou o imunizante ao Programa Nacional de Imunizações em 2006. Entre 2007 e 2009, os registros de atendimento médico mostraram que a vacinação ajudou a evitar aproximadamente 1.500 mortes e mais de 130 mil hospitalizações pela doença.
Assim, a vacina reduz o número de episódios graves de diarreia e a necessidade de internamento pediátrico. Além disso, ao limitar a circulação do vírus entre os mais vulneráveis, a imunização contribui para a queda de surtos sazonais que afetam centros de educação e serviços de saúde, protegendo também outros bebês e crianças que ainda não concluíram o esquema vacinal.
A vacina é administrada por via oral e deve começar nas primeiras seis semanas de vida. Segundo o Ministério da Saúde, o esquema de vacinação na rede pública é de duas doses, sendo a primeira aos 2 meses e a segunda aos 4 meses de idade, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Na rede particular são três doses (pentavalente), aos 2, 4 e 6 meses de vida.
Existem atualmente dois tipos de vacinas:
– A vacina oral monovalente (VRH1), de nome comercial Rotarix, contém um tipo de rotavírus vivo “enfraquecido”.
– A vacina oral atenuada pentavalente (VRH5), de nome comercial Rotateq, é composta por cinco tipos de rotavírus vivos “enfraquecidos”.
O imunizante é contraindicado nos casos de: imunodeficiência, uso de imunossupressores ou quimioterápicos, história de doença gastrointestinal crônica, má-formação congênita do trato digestivo não corrigida, história prévia de invaginação intestinal ou de hipersensibilidade a qualquer componente da vacina.
Embora o rotavírus seja uma infecção viral (portanto não tratada com antibióticos), episódios de diarreia costumam gerar prescrições inadequadas de antibióticos, especialmente em contextos com diagnóstico incerto ou falta de acesso rápido a testes.
A adoção da vacina contra o rotavírus está associada à redução no número de prescrições de antibióticos para diarreias em crianças: ao diminuir os episódios graves de gastroenterite, o imunizante reduz consultas e hospitalizações nas quais antibióticos muitas vezes são prescritos de forma desnecessária.
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